Por Rafaella Britto
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Reconstituição histórica do homem-de-neandertal no Museu de História Natural de Manhattan (Foto: Reprodução) |
Desde os primórdios das civilizações, o desejo de sentir-se belo é parte da essência do homem.
A Pré-História é o nome que designa o período da história da humanidade antes do surgimento da escrita. Para compor a historiografia deste longínquo período, estudiosos utilizam-se de documentos como armas, objetos de pedra, ossadas, pinturas e gravuras nas paredes das cavernas.
Durante o período Paleolítico (ou Idade da Pedra Antiga), os primeiros seres humanos eram nômades (isto é, não viviam em locais fixos), sustentavam-se da caça e pesca, e descobriram dois poderosos aliados para sua sobrevivência: a pedra e o fogo, que lhes permitiram produzir instrumentos que facilitavam seu cotidiano: flechas, facas e anzóis. Com o advento da Era Glacial (também conhecida como Era do Gelo, longo período de diminuição da temperatura em regiões terrestres), o homem passou a refugiar-se em cavernas e, para se proteger do frio das grandes geleiras, vestiu peles dos animais que matava para comer.
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Representação artística dos hábitos cotidianos da Pré-história: o homem matava animais para comer, e das peles destes mesmos animais, fazia suas roupas (Imagem: Reprodução/Autor desconhecido) |
O que inicialmente teria tido somente sentido prático, adquiriu sentido estético e de embelezamento, e os melhores caçadores ostentavam as melhores peles. Neste tempo, através das pinturas rupestres, descobriu-se o primeiro instrumento de comunicação: a imagem.
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Pintura rupestre na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí (Foto: Reprodução) |
Após o fim da Era Glacial, o homem deixou de habitar cavernas e migrou para as planícies ocupadas por manadas de renas. Assim, garantiu alimento e começou a vestir-se também das peles de renas. Outros adereços de joalheria como cintos e braceletes possuíam sentido ritualístico e religioso, para além do uso estético. Nas regiões mais quentes, utilizava-se um retângulo envolto ao corpo, manufatura de fibras vegetais como folhas e cascas de árvore.
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Esculturas paleolíticas: as mulheres pré-históricas e o padrão da beleza (Foto: Reprodução) |
Algumas técnicas para tornar as peles mais macias e menos pesadas para o corpo consistiam no uso de óleo animal. O curtimento das peles no ácido tânico e a criação das agulhas (feitas de ossos de rena, presas de leão-marinho e marfim de mamute) possibilitaram o surgimento do corte e costura.
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Achados arqueológicos de vestuários da Era Glacial escandinava (Fotos: Reprodução) |
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Achados arqueológicos de vestuários da Era Glacial escandinava (Foto: Reprodução) |
Acredita-se que o primeiro tecido tenha sido o feltro, surgido na Ásia Central: as peles dos animais eram postas em camadas sobre uma esteira e enroladas com força, o que as tornava maleáveis e compactas.
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Túnica pré-histórica encontrada em 24 de maio de 1907 na Baixa Saxônia, Alemanha (Foto: Reprodução) |
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Achado arqueológico de um casaco de pele na cidade de Hami, região noroeste da China (Foto: D. Hosner) |
O Neolítico (ou Idade do Bronze) representou revoluções e conquistas essenciais para a espécie humana: ao descobrir a agricultura, o homem tornou-se sedentário (passou a viver em um mesmo local, plantando e colhendo os frutos para sua subsistência). As conquistas deste período trouxeram mudanças significativas para a moda: o homem, agora, domesticava animais como bois e cavalos. A domesticação de ovelhas permitiu aos homens e mulheres livrarem-se das pesadas peles de animais selvagens, e substituírem-nas pela lã. O homem cozinhava terra para produzir vasilhas e vasos para o armazenamento de água: assim surgiu a cerâmica.
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Cacos de cerâmica pré-histórica encontrados em Serra Leoa, África (Foto: Reprodução) |
Os ceramistas da Idade do Bronze desenvolveram os primeiros tecidos de fios entrançados em armação-tela. Mais tarde, desenvolveram-se mais duas das principais armações utilizadas nos nossos dias: a armação-sarja e a armação-cetim.
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Retalho de um tecido pré-histórico encontrado em Etowah Mound, na Geórgia, EUA. Pesquisadores afirmam que este retalho era parte de um manto (Foto: Kathryn Jakes) |
O Neolítico é também conhecido como Idade dos Metais, pois o homem começou a produzir seus materiais utilizando-se de matérias-primas como o cobre. Da mistura do cobre com estanho, surgiu o bronze.
O homem da Idade do Bronze convivia em sociedade, o que possibilitou a divisão do trabalho: os habitantes contribuíam para o seu meio de acordo com suas próprias habilidades. Uns trabalhavam na cerâmica, outros na agricultura, e outros teciam. O mais hábil e forte era o chefe desta sociedade. Foi para registrar a quantidade de vasilhas que sobraram da caçada do ano anterior que o homem desenvolveu o mais poderoso instrumento de comunicação de todos os tempos: a escrita.
Fotografias do início do século 20 retratam antigos povos indígenas em seus tradicionais trajes pré-históricos:
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Uma família Sami (etnia indígena habitante da Escandinávia e Península de Kola) em um autocromo datado de 1900 (Foto: Reprodução) |
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Esquimós do Alasca em fotografia de 1900 (Foto: Reprodução) |
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Esquimós do Alasca em fotografia de 1900 (à esquerda, foto de autoria dos irmãos Lomen) |
O legado da pré-história se faz presente em hábitos e objetos diários do nosso cotidiano. A estética pré-histórica é inspiração para os principais estilistas e lançadores de tendências da atualidade, presente em referências como as badaladas estampas animal print.
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Inspirações pré-históricas: Fendi - Fall Winter 2012-13 (Foto: Reprodução) |
Referências:
- GUILHERME MOTA, Carlos; LOPEZ, Adriana. História & Civilização: O mundo antigo e medieval. Editora Ática
- DÓRIA, Márcia. Curso Integrado de Moda - Desenho e Ilustração de Modas, Figurinismo e Estilismo. Apostila 9. EMP - Escola de Moda Profissional - São Paulo
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